A FENACEF levou as prioridades dos aposentados da Caixa às reuniões da Mesa de Negociação do Saúde Caixa, realizadas em 14 e 15 de agosto, no Rio de Janeiro. Representada por Marilda Bueno, a Federação defendeu que não cabe aumento aos usuários enquanto os dados do plano não forem abertos e validados e cobrou maior participação da patrocinadora no custeio. “A tônica foi reajuste zero, sem margem para pagar mais nada”, resumiu a representante.

A Caixa não trouxe proposta de formato de custeio, apenas apresentou os valores de despesas e receitas do primeiro semestre, ainda não auditados pelas empresas atuariais contratadas pelos representantes dos empregados, informando que há projeção de déficit para 2025 e 2026, como consta do relatório atuarial apresentado pela empresa.

Prioridades para os aposentados da Caixa

O foco principal está na capacidade de permanência dos aposentados no Saúde Caixa, para que não ocorra como em 2024, depois da inclusão de cobrança por dependente, os mais de 11 mil desligamentos – maior parte de filhos acima de 21 anos e cônjuges que tinham outro plano, além de falecidos e outras situações. Houve, porém, 9 mil novas adesões no mesmo período, resultando numa taxa de rotatividade efetiva de 2 mil saídas (0,72%).

Sem proposta na mesa e com números ainda sob avaliação, a FENACEF sustenta reajuste zero para os usuários. Nesse sentido, a representante da FENACEF cobrou acesso completo aos insumos “antes da próxima reunião” para que o debate ocorra sobre bases verificáveis. Dentre as informações prioritárias estão a discriminação das despesas assistenciais e administrativas, quantificação dos procedimentos fora do rol da ANS e avaliação de ações de prevenção, incluindo exames periódicos, controle de doenças crônicas e programas de acompanhamento.

Marilda registrou ainda que as entidades participantes da mesa de negociações defenderam a preservação dos princípios do Saúde Caixa da Solidariedade, Mutualismo e do Pacto Intergeracional, com rejeição a qualquer segmentações por faixa etária.

Para Valfrido Oliveira, presidente da FENACEF, se houver cobrança por faixa etária, isso pode significar a inviabilidade do plano para os aposentados. “Cobrança por faixa etária desvirtua a lógica solidária do Saúde Caixa e desloca o peso justamente para quem mais precisa. Isso pode tornar o plano inviável para muitos aposentados e acelerar a evasão. O caminho responsável é ampliar a participação da Caixa no custeio e abrir os números, enfrentando o desequilíbrio sem penalizar quem já contribuiu a vida inteira”, destacou o dirigente.

Com relação à referência de que os maiores custos se concentram nos “últimos seis meses de vida”, Marilda Bueno alertou que despesas elevadas nessa fase podem ocorrer em qualquer idade e que doenças graves também pressionam o gasto entre jovens e crianças. Por fim, observou que, embora haja a tendência de se supor maior peso dessas despesas entre aposentados, não há conclusões nesse sentido.

Próximos passos
A análise atuarial segue em curso. A próxima rodada dedicada ao Saúde Caixa está prevista para 18 e 19 de setembro, quando se espera que a empresa apresente respostas objetivas sobre custeio e medidas concretas para racionalizar as despesas. Ate lá, a orientação da FENACEF permanecerá a mesma: foco na proteção dos princípios do plano, rejeição de qualquer aumento, enquanto os números não forem auditados, e cobrança por maior participação da patrocinadora.