Na mesma semana em que a Caixa anunciou lucro líquido contábil recorde de R$ 9,8 bilhões no primeiro semestre de 2025, com dados detalhados ao mercado financeiro em relatórios oficiais, as mesas de negociação realizadas nos dias 18 e 19 terminaram sem proposta concreta para o Saúde Caixa. A ausência de informações auditáveis sobre o plano de saúde reforçou o sentimento de frustração entre entidades, aposentados e trabalhadores.
As mesas ocorreram em Brasília, sob coordenação da CONTRAF-CUT, e em Belo Horizonte, sob coordenação da CONTEC, ambas com participação da FENACEF. Representaram a Federação Marilda Bueno, representante da FENACEF no no GT Saúde caixa, e Valfrido Oliveira, presidente da entidade. O saldo, em ambos os casos, foi de decepção, com a Caixa repetindo apresentações já conhecidas, sem proposta concreta e sem respostas a pontos fundamentais cobrados pelas entidades, como transparência plena nos números, reajuste zero e maior participação da patrocinadora no custeio.

Segundo Valfrido Oliveira, em Belo Horizonte a reunião voltou a esbarrar na ausência de dados consistentes. “Fala-se em déficit em 2025, mas sem comprovação clara. Seguimos cobrando transparência integral e soluções duradouras, com maior participação da patrocinadora no custeio. Não é aceitável transferir o ônus, ano após ano, para empregados ativos e aposentados”, resumiu. Em Brasília, Marilda Bueno destacou que a reunião não trouxe nada de novo: “O tema central segue sendo o reajuste zero, mas sem que a Caixa apresente qualquer proposta. A frustração é inevitável”.
A divergência sobre os números apresentados pelas áreas técnicas também foi registrada. A base de dados fornecida pela Caixa tem sido contestada por inconsistências, levando entidades a exigirem conferências independentes. Para a FENACEF, a ausência de transparência não apenas inviabiliza a negociação como ameaça a sustentabilidade do plano.
“A categoria espera respostas objetivas. Sem transparência, não há negociação justa; sem participação adequada da patrocinadora, o custo volta para as mesmas costas de sempre”, reforça Valfrido.

Lucro recorde contrasta com falta de sensibilidade
Nos relatórios oficiais do 1T25 e 2T25, a Caixa divulgou ao mercado que alcançou lucro líquido contábil de R$ 9,8 bilhões no primeiro semestre de 2025, crescimento de 70,2% em relação ao mesmo período de 2024. O lucro líquido recorrente chegou a R$ 8,9 bilhões, alta de 44,9% no comparativo anual, enquanto a rentabilidade recorrente sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 11,9%, contra 9,5% um ano antes.
O contraste, no entanto, está na ausência de sensibilidade diante da saúde de quem construiu esses resultados. Enquanto o mercado recebe informações precisas e tempestivas, aposentados e trabalhadores aguardam sem clareza sobre o futuro do plano de saúde, enfrentando sucessivos repasses de custos e a ameaça de desequilíbrio. Para a FENACEF, não basta exibir lucros recordes; é preciso reconhecer, com dignidade, aqueles que garantem diariamente esses resultados.
Clique a seguir para baixar os relatórios da Caixa do 1º TRI/2025 e 2º TRI/2025.
Mobilização continua
A campanha nacional “Transparência é o Melhor Remédio”, liderada pela FENACEF, segue mobilizando aposentados e empregados em defesa de seus pilares: abertura total dos dados do plano, reajuste zero, fim da cobrança da 13ª mensalidade e maior aporte da Caixa para equilibrar o modelo de custeio.
O abaixo-assinado da campanha já ultrapassou 30 mil assinaturas, mostrando a força do movimento. O próximo passo é alcançar a marca de 50 mil assinaturas, ampliando ainda mais a pressão sobre a Caixa. Para participar, basta acessar e assinar: https://chng.it/GZsMv7bMyr.



